Aula 01: Curso CPA-10 Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Este material foi desenvolvido como um resumo de apoio para quem está iniciando os estudos no Curso CPA-10, com o objetivo de fornecer uma visão clara e organizada sobre os principais conceitos da estrutura do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele é ideal para quem está dando os primeiros passos no entendimento do funcionamento do sistema financeiro, abordando suas bases estruturais e a interação entre os diferentes agentes que o compõem.

O Primeiro Passo: Compreender a Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Antes de avançar para conceitos mais práticos, como produtos financeiros e estratégias de investimento, é essencial entender a estrutura do SFN e como ele está organizado. Isso porque o sistema financeiro é o alicerce que possibilita o funcionamento da economia, conectando quem possui recursos (agentes superavitários) com quem precisa deles (agentes deficitários).


1. O que é o Sistema Financeiro Nacional (SFN)?

  • Definição:
    • O SFN é um conjunto de entidades, instituições e regras que organiza e regula a circulação de recursos financeiros na economia, promovendo:
      • Intermediação financeira: Conectar quem tem dinheiro sobrando (agentes superavitários) com quem precisa de dinheiro (agentes deficitários).
      • Prestação de serviços financeiros: Pagamentos, transferências, custódia, seguros, previdência, entre outros.
  • Funções principais:
    • Viabilizar empréstimos e financiamentos.
    • Facilitar o acesso a produtos financeiros.
    • Manter a estabilidade e a confiança na economia.

2. Estrutura do SFN:

O SFN é formado por três tipos de entidades, com funções distintas:

a) Entidades Normativas:

  • O que fazem: Criam as regras e diretrizes gerais do sistema financeiro.
  • Não fiscalizam nem executam operações.
  • Exemplos:
    • CMN (Conselho Monetário Nacional): Principal entidade normativa, regula moeda, crédito, capitais e câmbio.
    • CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados): Regras para o mercado de seguros e previdência aberta.
    • CNPC (Conselho Nacional de Previdência Complementar): Regras para previdência complementar fechada.

b) Entidades Supervisoras:

  • O que fazem: Fiscalizam e supervisionam o cumprimento das regras criadas pelas entidades normativas.
  • Possuem poder coercitivo.
  • Exemplos:
    • BACEN (Banco Central): Supervisiona bancos, cooperativas, consórcios, instituições de pagamento.
    • CVM (Comissão de Valores Mobiliários): Fiscaliza o mercado de capitais (ações, fundos).
    • SUSEP (Superintendência de Seguros Privados): Supervisiona seguros, resseguros e capitalização.
    • PREVIC (Superintendência Nacional de Previdência Complementar): Fiscaliza fundos de pensão.

c) Entidades Operacionais:

  • O que fazem: Executam as operações financeiras (intermediação, serviços, pagamentos, seguros).
  • Estão na linha de frente, diretamente ligadas a pessoas, empresas e governo.
  • Exemplos:
    • Bancos comerciais (Itaú, Bradesco).
    • Corretoras e distribuidoras de valores (XP, BTG).
    • Seguradoras (Porto Seguro, SulAmérica).
    • Cooperativas de crédito (Sicredi, Sicoob).
    • Administradoras de consórcios.

3. Os Mercados do Sistema Financeiro

O SFN é dividido em diferentes mercados, cada um com objetivos específicos:

a) Mercado Monetário:

  • Objetivo: Gerenciar a liquidez da economia e implementar a política monetária.
  • O que se negocia:
    • Títulos públicos de curto prazo (ex.: Tesouro Selic negociado entre bancos e o governo).
    • Certificados de depósito bancário (CDBs de curto prazo).
  • Exemplo de atuação: O Banco Central compra ou vende títulos para controlar a inflação.

b) Mercado de Crédito:

  • Objetivo: Oferecer empréstimos e financiamentos para pessoas e empresas.
  • O que se negocia:
    • Produtos como crédito consignado, financiamento de imóveis, cartões de crédito.
  • Como funciona:
    • Bancos ganham com o spread bancário (diferença entre os juros que pagam aos investidores e os que cobram dos tomadores).
  • Exemplo: Um cliente faz um empréstimo com garantia de veículo.

c) Mercado de Câmbio:

  • Objetivo: Facilitar transações internacionais.
  • O que se negocia:
    • Compra e venda de moedas estrangeiras (dólar, euro).
  • Exemplo: Empresas exportadoras convertem receitas em reais, e turistas compram moeda estrangeira para viajar.

d) Mercado de Capitais:

  • Objetivo: Captar recursos para empresas e oferecer investimentos de longo prazo.
  • O que se negocia:
    • Ações, debêntures, fundos imobiliários.
  • Exemplo: Uma empresa emite ações na Bolsa para captar dinheiro, e os investidores podem ganhar com valorização e dividendos.

e) Mercado de Seguros:

  • Objetivo: Transferir riscos para seguradoras.
  • O que se negocia:
    • Seguros de vida, saúde, automóveis, capitalização.
  • Exemplo: Uma seguradora cobra prêmios mensais de clientes e paga indenizações em caso de sinistros.

f) Mercado de Previdência Fechada:

  • Objetivo: Oferecer previdência complementar para grupos específicos (ex.: funcionários de uma empresa).
  • Exemplo: Um fundo de pensão investe recursos dos participantes em ativos de baixo risco para garantir uma aposentadoria futura.

4. Regulação no SFN

a) Heterorregulação:

  • Regras criadas por entidades normativas (ex.: CMN, CNSP) e fiscalizadas pelas entidades supervisoras (ex.: BACEN, CVM).
  • Exemplo: Limites para concessão de crédito definidos pelo CMN e fiscalizados pelo BACEN.

b) Autorregulação:

  • Regras criadas voluntariamente pelas próprias entidades operacionais ou associações representativas.
  • Exemplo: A ANBIMA cria códigos de conduta para corretoras e bancos.

5. Conceitos importantes que esclarecemos

  1. Spread bancário:
    • É a diferença entre os juros cobrados do tomador de crédito e os pagos ao investidor. Não é o lucro do banco, mas parte dele.
    • Exemplo: Um banco paga 5% ao investidor e cobra 15% no empréstimo, ficando com 10% de spread para cobrir custos e gerar lucro.
  2. Liquidez:
    • Facilidade de converter um ativo em dinheiro sem perda significativa de valor.
    • Exemplo: Dinheiro na conta tem alta liquidez; imóveis, baixa.
  3. Dividendos não são juros:
    • Os dividendos são parte do lucro distribuído aos acionistas. Já os juros são a remuneração de um empréstimo.
  4. Mercado de Capitais não é intermediação financeira direta:
    • Empresas podem captar recursos diretamente de investidores, sem passar por bancos, ao emitir ações ou debêntures.
  5. Confiança no SFN:
    • Garantida por:
      • Regulação rígida: Feita por CMN, BACEN, CVM, SUSEP, PREVIC.
      • Mecanismos de proteção: Como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege depósitos de até R$ 250 mil.

6. Resumo Final

O Sistema Financeiro Nacional organiza a intermediação financeira e oferece serviços essenciais, como crédito, investimentos, pagamentos e seguros. É dividido em:

  • Entidades normativas: Criam regras (ex.: CMN).
  • Entidades supervisoras: Fiscalizam (ex.: BACEN, CVM).
  • Entidades operacionais: Executam (ex.: bancos, corretoras).

Além disso, o SFN se desdobra em mercados específicos (monetário, crédito, câmbio, capitais, seguros e previdência) que atendem diferentes necessidades econômicas.


Erros comuns

Vamos abordar os possíveis mal-entendidos que as pessoas podem ter ao estudar o Sistema Financeiro Nacional (SFN) pela primeira vez. Em cada caso, vou descrever a situação (como as pessoas pensam ou interpretam errado), explicar o que está errado e o que está correto. Isso ajudará a solidificar o entendimento!


I. Confundir Entidades Normativas com Fiscalizadoras

Situação:

“Eu achei que o CMN (Conselho Monetário Nacional) era responsável por fiscalizar bancos como o Itaú e o Bradesco.”

O que está errado:

  • O CMN não fiscaliza diretamente nenhuma instituição financeira.
  • Ele cria as regras que o Banco Central (BACEN) e outras entidades supervisoras devem aplicar.

O que está correto:

  • O CMN é uma entidade normativa que define as políticas gerais (como limites de juros e regras para crédito).
  • O BACEN é quem fiscaliza os bancos comerciais, garantindo que sigam as regras definidas pelo CMN.

Exemplo real:

  • O CMN define a taxa mínima de juros para financiamentos habitacionais.
  • O BACEN fiscaliza se os bancos estão seguindo essa regra.

II. Confundir Previdência Complementar Aberta com Fechada

Situação:

“Eu achei que qualquer pessoa pode aderir a uma previdência complementar fechada, como os fundos de pensão.”

O que está errado:

  • A previdência complementar fechada (fundos de pensão) é exclusiva para grupos específicos, como funcionários de uma empresa ou associados de uma entidade de classe.
  • Exemplo: O fundo Previ é exclusivo para funcionários do Banco do Brasil.

O que está correto:

  • Quem deseja ter uma previdência complementar aberta (disponível para qualquer pessoa) pode contratar com seguradoras, reguladas pela SUSEP.
  • A previdência aberta é geralmente oferecida em bancos e corretoras, como PGBL e VGBL.

Resumo:

  • Fechada: Apenas para grupos restritos.
  • Aberta: Disponível para qualquer pessoa.

III. Pensar que dividendos são como juros

Situação:

“Eu achava que os dividendos das ações funcionam como os juros pagos em debêntures.”

O que está errado:

  • Dividendos não são uma obrigação da empresa. Eles dependem do lucro e da decisão dos acionistas.
  • Já os juros em debêntures são contratuais: a empresa deve pagar independentemente de ter lucro ou prejuízo.

O que está correto:

  • Dividendos são parte dos lucros distribuídos aos acionistas como forma de recompensa.
  • Juros são a remuneração fixa paga em títulos de dívida.

Exemplo:

  • Se você investe em ações, pode receber dividendos apenas se a empresa lucrar.
  • Em uma debênture, os juros são pagos conforme o contrato, mesmo que a empresa tenha dificuldades financeiras.

IV. Achar que instituições de pagamento fazem parte do SFN

Situação:

“Eu pensei que fintechs como Nubank e PicPay faziam parte do Sistema Financeiro Nacional.”

O que está errado:

  • Instituições de pagamento não fazem parte oficialmente do SFN.
  • Elas são reguladas e fiscalizadas pelo BACEN, mas têm uma categoria diferente de bancos e instituições financeiras tradicionais.

O que está correto:

  • Fintechs como Nubank, PicPay e Mercado Pago oferecem serviços como contas de pagamento e transferências, mas são classificadas como instituições de pagamento.
  • Apenas bancos e instituições financeiras tradicionais fazem parte formalmente do SFN.

Exemplo:

  • Uma conta no Nubank é diferente de uma conta-corrente no Itaú, pois segue regulamentações distintas.

V. Confundir o Mercado Monetário com Investimentos de Pessoas Físicas

Situação:

“Eu achei que o mercado monetário inclui aplicações como o Tesouro Direto.”

O que está errado:

  • O mercado monetário não é voltado para pessoas físicas.
  • Ele opera principalmente entre instituições financeiras e o governo para gerenciar a liquidez da economia.

O que está correto:

  • O mercado monetário é usado pelo Banco Central e pelos bancos para negociar títulos de curto prazo, como operações compromissadas e LFTs (Tesouro Selic no mercado interbancário).
  • O Tesouro Direto é um programa que permite que pessoas físicas invistam em títulos públicos, mas ele não faz parte diretamente do mercado monetário.

Exemplo:

  • Uma corretora pode negociar títulos no mercado monetário para equilibrar sua liquidez, mas um investidor pessoa física acessa o Tesouro Direto no mercado de varejo.

VI. Pensar que o spread bancário é o lucro total do banco

Situação:

“Eu achava que o spread bancário era o lucro líquido dos bancos.”

O que está errado:

  • O spread bancário é apenas a diferença entre os juros cobrados dos tomadores de crédito e os juros pagos aos investidores.
  • Ele não é o lucro total do banco, pois o spread precisa cobrir custos operacionais, impostos e riscos de inadimplência.

O que está correto:

  • Parte do spread vai para os custos (infraestrutura, tecnologia), e apenas o restante se transforma em lucro líquido.

Exemplo:

  • Se o banco cobra 20% ao ano de juros em um empréstimo e paga 10% em CDBs, o spread é de 10%. Porém, desse valor, o banco ainda paga impostos, custos e provisiona para calotes.

VII. Achar que bancos só emprestam dinheiro que possuem

Situação:

“Eu achava que o banco só podia emprestar o dinheiro que tem em caixa.”

O que está errado:

  • Os bancos trabalham com o sistema de reservas fracionárias, ou seja, eles só precisam manter uma fração dos depósitos em caixa. O restante é utilizado para concessão de crédito.

O que está correto:

  • O Banco Central exige que os bancos mantenham um percentual mínimo de reservas (depósitos compulsórios) para garantir liquidez.
  • O restante pode ser usado para empréstimos e outras operações.

Exemplo:

  • Se o banco tem R$ 100 milhões em depósitos e o compulsório é de 20%, ele só precisa manter R$ 20 milhões em caixa. Os outros R$ 80 milhões podem ser emprestados.

VIII. Pensar que o BACEN interfere diretamente no preço das ações

Situação:

“Eu achava que o Banco Central controlava diretamente o valor das ações na Bolsa.”

O que está errado:

  • O Banco Central não interfere diretamente no preço das ações. Ele regula a política monetária e a liquidez da economia, o que pode indiretamente afetar o mercado de capitais.

O que está correto:

  • O preço das ações é determinado pela oferta e demanda no mercado de capitais, supervisionado pela CVM.
  • O BACEN controla a taxa Selic, que pode influenciar o apetite dos investidores por renda variável.

Exemplo:

  • Se a Selic aumenta, muitos investidores preferem renda fixa, o que pode reduzir o interesse por ações e pressionar os preços para baixo.

Veja o vídeo de apoio:

Disclaimer: Você será redirecionado ao YouTube.


Por que entender o SFN é importante para a CPA-10?

  • A prova da CPA-10 exige que o candidato tenha um bom domínio sobre a estrutura regulatória, supervisora e operacional do sistema financeiro, além de saber como essas entidades interagem entre si.
  • Compreender essa base permite que você avance com confiança em tópicos como crédito, mercado de capitais e produtos de investimento.

Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

O SFN é composto por três grandes pilares:

  1. Entidades Normativas:
    • Responsáveis por criar as regras e diretrizes gerais do sistema.
    • Exemplo: Conselho Monetário Nacional (CMN).
  2. Entidades Supervisoras:
    • Fiscalizam e supervisionam o cumprimento das regras.
    • Exemplo: Banco Central do Brasil (BACEN), CVM, SUSEP.
  3. Entidades Operacionais:
    • Executam as operações financeiras no dia a dia, conectando poupadores e tomadores de crédito.
    • Exemplo: Bancos comerciais, corretoras, seguradoras.

Esses pilares trabalham de forma integrada para garantir a segurança, eficiência e estabilidade do sistema financeiro.


A Base do Sucesso: Compreensão e Prática

Este resumo é apenas o primeiro passo para você construir uma base sólida para os estudos. Ao compreender a estrutura do SFN e seus diferentes mercados, você estará melhor preparado para aprofundar seus conhecimentos nos tópicos específicos exigidos pela CPA-10, como:

  • Produtos financeiros (CDBs, LCIs, debêntures).
  • Tipos de mercado (monetário, crédito, câmbio, capitais e seguros).
  • Fundos de investimento e previdência complementar.

A partir dessa base, será mais fácil entender como os bancos, corretoras, seguradoras e o governo trabalham juntos para movimentar a economia.


Conselho Final

Comece pelo básico, entenda o funcionamento do SFN, e pratique bastante com questões sobre o tema. Este é o alicerce para se tornar um profissional certificado e bem-sucedido no mercado financeiro.

Boa sorte nos estudos, e conte com este material sempre que precisar revisar! 🚀